quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Bom Natal

Para si, o melhor Natal de sempre. E a mais terna esperança de sempre.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

A propósito dos comentários

Acabei de responder aos comentários feitos aqui no texto em baixo. Já não era sem tempo. A resposta ao comentário do José Coimbra poderia ter sido dada aqui nesta página mais visível. Mas dei-a no sítio dos comentários, e lá ficará. Até talvez seja bom, pois, não sendo tão visível lá, assim não fico tão exposto a outros comentários críticos. Não levem a sério. A discordância é boa. Obriga-nos a estar atentos. E a pensar.
Vou ver se amanhã consigo comentar os comentários deixados em Nas tuas, nas minhas, nas vossas, que mora logo um pouco mais abaixo. Devo isso às pessoas que se deram ao trabalho de comentar, principalmente aos meus alunos. Já não o são. Mas eu considerá-los-ei sempre como tal. Com muito orgulho e gosto.
Aliás, era um hábito meu responder a todos os comentários e a todos os mails. Aos mails, agora é quase impossível, mas irei tentando. Em relação aos comentários, retomarei esse "mau" hábito.
A todos agradeço a paciência de virem aqui.

domingo, 7 de dezembro de 2008

O Sr. Dr. Mário Nogueira, o Sr. Dr. Jorge Pedreira e o jogo do faz-de-conta

Quando, na sexta-feira última, vi e ouvi o Sr. Dr. Mário Nogueira, quase de negro, a anunciar solene a suspensão de algumas acções públicas de protesto contra a política educativa do governo do Senhor Dr.- Engº. José Sócrates, executada pela sempre servil e comatosa Senhora Drª. Ministra da Educação, eu tive uma imediata reacção emotiva que não sei bem explicar, embora saiba muito bem por que é que a tive.
Aquele negro solene soava quase a vitória. Mas essa quase vitória, quase anunciada, não suscitou em mim nem apoio, nem rejeição, nem pouco mais ou menos. Ora vejam lá! O que aquele negro solene provocou em mim foi uma reacção estranha, despropositada mesmo, sabe-se lá porquê: desenterrou em mim fantasmas agoirentos que me falavam de entendimentos com formas de memorandos. Que despropósito injusto! Mandei-os logo calar. E foi, então, que me veio à memória aquele poema de Jorge de Sena - Epístola a Álvaro Salema. E publiquei-o logo aqui, não fosse vir-me à ideia uma coisa ainda mais estranha. Não sei bem por que me lembrei desse texto, mas sei bem por que o publiquei. E teve que ser logo na hora, porque se adivinhava o que se seguiu.
Umas pouquíssimas horas depois, veio o Sr. Dr. Jorge Pedreira , muito lesto e quase meigo, anunciar que não, que não era bem assim, que tudo continuava na mesma, que alguém entendera mal.
Ora, o Sr. Dr. Nogueira não gostou nada daquilo que disse o Sr. Dr. Jorge Pedreira. E com toda a razão, diga-se. E vai daí, então, o Sr. Dr. Mário Nogueira aparece de imediato a ameaçar guerra, começando por ameaçar suspender a suspensão - a tal que, solene e negro, horas antes anunciara.
Até parece que o Sr. Dr. Mário Nogueira anda muito distraído, não entende bem as coisas, engana-se muitas vezes, ou deixa-se enganar. Parece, mas não é verdade. Isso poderia lá ser?
Mas neste jogo de sombras se cansam os professores. E nesta floresta de enganos se valida o "faz-de-conta". E se o "faz-de-conta" pode ser bom para a luta partidária, para os professores nunca o será. Nem os professores o podem querer. Porquê? Porque este "faz-de-conta" é uma armadilha vestida de ingenuidade, de complacência, de conivência, de conveniência, de pura hipocrisia, ou da mistura disto tudo; e exige longos e comprometedores compassos de espera.
Se entendido assim - e eu acho que é mesmo assim -, o jogo do "faz-de-conta", os professores não o podem querer. Ele poderá ser um ganho de tempo muito útil nas estratégias partidárias para a disputa eleitoral, mas para os professores será sempre um dramático atraso no tão pouco tempo que têm para começar a juntar os cacos da sua dignidade ofendida, mas nunca vencida.

sábado, 6 de dezembro de 2008

É triste e é cómico

Epístola a Álvaro Salema

É triste e é cómico, mas é preciso dizer-se:
quem mais recusa e nega é quem mais aceita,
e não aceita mais aquele que menos recusa.
Porque de infindo amor nos recusamos
a que ele seja esse infamar-se o ser
que as coisas e os humanos nunca são inteiras.
A conivência torpe com a humanidade,
no que ela tem de vil, de ignóbil, de mesquinho,
a conivência com este espectáculo hediondo
de um mundo de traição, perfídia, malignidade reles,
e sobretudo a estupidez triunfante, não é possível.
Seja qual fôr a causa, a nobre causa, a santa causa,
não é possível: nada que seja nobre,
nada que seja santo, pode resistir
a tão porcas vizinhanças. Mas,
se recusarmos essas complacências,
chamam-nos traidores aqueles que a traição cega
na fúria de que as causas justificam os fins.
Antes trair tudo isso. Se uma coisa, um homem, uma pátria,
precisam da mentira e do contágio sujo
para salvar-se - que há que salvar neles?
Que a nossa vida seja nossa: ninguém mais
a vive senão nós. Que a nossa voz
seja alheia: outros que falem por conta própria
ou por conta do que acham próprio. E,
se nos disserem que nos não entendem,
respondamos que a honra não se entende
onde o sentido dela se perdeu. E que,
quer queiram quer não queiram, ela existe
e há, desde o princípio do mundo, homens com o encargo
de velar por ela. Não serão felizes, não serão
amados, não serão sobretudo criaturas fáceis,
que obedeçam às ordens de quem não aceitaram que os mandasse.
Cada qual que mande nos fiéis da sua igreja;
e que eles sejam obedientemente fiéis.
Mas que se não diga que não pertence ao mundo
quem, porque lhe pertence, não aceita ordens
das sociedades de socorros mútuos
a que não pertence. Traição é isso de fingir-se alguém
o guardião só de uma verdade. As verdades
são prostitutas notórias que depravam
os seus guardiões. E, contra essas verdades tão ricas,
e tão poderosas de seus fiéis, só temos
esta dignidade que nos querem tirar -
talvez porque seja mesmo o de que sentem falta.

Jorge de Sena, in Dedicácias

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Nas tuas, nas minhas, nas nossas

É importante esta concentração. Tem uma especificidade singular. Existem muitas e boas razões para a fazer. Más razões? Não. Nenhuma. Os professores sabem do valor acrescido das suas organizações de classe. Mas sabem também que, contando com elas, não podem esperar sentados que elas actuem sempre, e a tempo, e bem. Até para bem delas. Até para lhes dar vida e força. Vamos a Lisboa?
....
Nota: Agradeço a quem me enviou a imagem.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

O Verão de S. Martinho

1.
Estes meus regressos anunciados têm sido um pouco exagerados, não têm? E as minhas promessas críticas também, não acham? Poderei desculpar-me, ou não? A verdade é que estive sempre atento, mas sem intervir aqui. A verdade é que já tinha feito as críticas essenciais - a que pouco tenho a acrescentar-, na primavera passada. É só relerem alguns dos últimos textos acerca destes e daqueles.
2.
Gostei da manifestação de sábado passado, dia 8. Gostei mais da outra, que foi a primeira. Esta foi mais uma repetição. Necessária. Repôs a situação em que se ficou a 8 de Março. Quanto tempo desnecessariamente perdido! Mas, na dor, também se aprende e se ganha.
Foi bom ver os professores ultrapassarem - uns engolindo mais sapos, outros engolindo menos - os desencantos provocados pelos acontecimentos posteriores à primeira manifestação. Mas valeu a pena: regressou-se em força à força da esperança em acção; amadureceram-se mais ideias e convicções; avançou-se na necessária unidade; isolou-se mais a política educativa daquela figura, trágica e sinistra, que acha que ainda é ministra; os sindicatos viraram-se novamente para os professores, por devoção ou por obrigação; os partidos foram obrigados a tomar posições mais claras.
3.
Nada está ganho. Mas também nada está perdido. Houve suor e lágrimas. Houve quem tombasse. Houve quem se erguesse. Houve quem se imolasse em protesto solitário contra a resignação anunciada.
Nem suor e lágrimas, nem imolação hão-de ser em vão. Mais tarde ou mais cedo, vamos conseguir, que a força da razão acabará por vencer mandaretes flácidos que a estupidez sustenta.
4.
Hoje é dia de S. Martinho. Venha lá esse verão de S. Martinho aquecer um pouco este inverno do nosso descontentamento. E haja fogueira. E castanhas e vinho. Como deve ser.
Um abraço.

terça-feira, 27 de maio de 2008

De regresso aqui, por respeito a si

Há mais de mês que pesa um silêncio de chumbo aqui neste TempoBreve. E era para continuar mais uns tempos. Mas não. É mil vezes preferível voltar a este posto de vaidades, de lazeres, de fantasias e de combates do que ter que ouvir reprimendas pela ausência: reprimendas de familiares, de amigos, de colegas, de conhecidos e, principalmente, de muitos desconhecidos. Além do mais, este acordar duma hibernação desejada libertar-me-á também do tempo que passo a ler mails perguntando-me por quê.
Sei que será um incómodo, este meu regresso, para os lambe-botas (não digo outra coisa por respeito à coisa) do poder instituído, graduados ( e não promovidos) em "grandes líderes", líderes fortes" e "avaliadores" deficientes, por incapazes de respirarem a estética do pensamento livre, e por incapazes de entenderem a ética de não deverem aceitar funções que ultrapassam os seus limites bem apoucados de competência. Mas eles não conhecem O Princípio de Peter. Nem poderiam. Nem o entenderiam.
Mas sei que será também uma pequena curiosidade prazenteira para os meus amigos e conhecidos, e para os meus amigos desconhecidos que me dão a honra de por aqui passarem, e que teimaram sempre em passar, mesmo nesta minha hibernação de preguiça birrenta.
O incómodo dos primeiros e o pequena curiosidade prazenteira dos segundos serão sempre motivo de prazer para a minha modesta pessoa.
Pequenas vaidades absurdas, não é?
Vai um abraço para todos?
Até breve.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

25 de Abril! Apesar de tudo (1)*

Aquela velha e teimosa senhora chamada utopia

Ensinaram-me, ainda menino, nos bancos da escola, um certo sentido épico da História de Portugal. Daí, talvez, este meu arreigado apego à terra e ao povo a que pertenço. Para mal dos meus pecados, pertenço à raça daqueles que não concebem viver sem a sua terra e sem a sua gente. Trazem-nas no peito. E com elas a dor de quem muito exige, porque muito lhes quer - até aos limiares da injustiça, que é o exigir transfigurações a quem não sabe, não quer, ou não pode dar mais.
Esse sentido épico mantém-se e reforça-se criticamente com escritores que me fascinam e me apaixonam: Camões, Antero, Herculano, Aquilino, Jorge de Sena. Também Pessoa, na Mensagem. Em todos eles ressuma uma tensão épica, utópica e mítica que, a um tempo, me seduz e magoa. O mesmo direi daquele 25 de Abril, já quase só mito, onde pulsou o fogo da alma que alimenta a vida.
Foi a 25 de Abril. Poderia ter sido noutro dia qualquer. Mas foi a 25. A mudança era inevitável. O regime fascista era uma maçã bichosa. Podre. Incapaz de se suster. Qualquer aragem a faria cair. E fez. Estava tudo cansado e descrente. Mesmo os indiferentes. Mesmo os ignorantes. Mesmo os colaboracionistas e os "bufos". Todos sabiam que a queda do fascismo era iminente.
Caiu a 25 de Abril. Sonhos secretos explodiram, contagiando tudo e todos. Rebentou-se o calendário parado num tempo que nos abafava. Acabou o pesadelo castrante da ridícula ditadura que nos mantinha isolados e imóveis numa Idade Média fora do tempo. Reencontrámos o nosso tempo. Recuperámos o nosso orgulho de pátria. Reconciliámo-nos todos numa esperançosa bebedeira de vida. Fomos actores de primeira nos palcos da rua. E, numa alegria épica de povo, pintámos tudo de cores garridas, e inventámos um mito. Demos-lhe um nome - 25 de Abril.

A história não se faz num só dia. Mas há dias que fazem história por consubstanciarem ideais que longa e sofridamente esperaram para florir. Foi o que aconteceu a 25 de Abril de 1974, neste país isolado, ofendido e humilhado, onde as espingardas floriram em cravos. Mas esse dia, que hoje é mito, não se descomprimiu abruptamente do nada, por capricho dos deuses. Nasceu de gestos e de atitudes de homens e de mulheres que ousaram sonhar e que ousaram erguer a voz contra a ditadura, pela liberdade, numa resistência de muitos e longos anos. Foi o caso de Humberto Delgado, e de todos quantos o acompanharam no desafio à ditadura nas eleições presidenciais de 1958, cujo combate por um regime democrático abriu brechas na suposta solidez absoluta do Estado Novo, e mostrou que a conquista da liberdade exige coragem, determinação e ousadia. Foi também o caso de muitos outros, em associações clandestinas, em associações “toleradas”, em gestos de coragem individual. Todos eles deram passos decisivos para que se criasse aos poucos uma nova mentalidade e uma nova cultura política, ao recusaram ser escravos do medo, pagando, embora, um preço muito elevado – a discriminação, a perseguição, a prisão, e até a morte.
Associar, pois, todos esses homens e mulheres, e o eco positivo da sua luta pela liberdade, com o 25 de Abril de 1974, afigura-se-me não só lógico, como justo, dada a sua acção precursora pelo derrube da ditadura e pela instauração de um regime democrático.
Dizer isto não é apoucar os homens de Abril, mas sim mostrar a consequência histórica da razão do seu nobre gesto e, deste modo, dignificá-los mais, não deixando que o 25 de Abril se confunda com uma mera acção corporativista, militarista, desgarrada e voluntarista, sem ligações profundas com a história e com a alma de um povo. Na verdade, e sem deixar de reconhecer alguns dos chamados homens de Abril, e lhes prestar homenagem pela grande coragem que demonstraram, outros heróis há que os precederam: os que longamente resistiram, os que não desistiram, os que se sacrificaram, os que morreram.
No 25 de Abril, o verdadeiro herói foi colectivo. Como em Fernão Lopes. Para legitimarem o Mestre. Foi o povo que, com a sua acção transfiguradora, épica e utópica, legitimou o golpe militar de Abril. Cada vez se vai falando menos desse povo na rua, marginalizando a sua acção, e não lhe dando a relevância histórica que por direito tem.
Nas comemorações oficiais e nacionais do 25 de Abril vê-se bem essa marginalização. Elas, as comemorações oficiais, primam, regra geral, pela ostentação da pompa, da circunstância e do alarido, aliando a sua efemeridade a um sensacionalismo promotor dos celebrantes, à custa do apagamento da importância do acto celebrado, naquilo que ele tem de histórico, sociológico e politicamente sério.
Nelas promovem-se uns e esquecem-se outros, de acordo com as conveniências, as circunstâncias e as simpatias. Fazem-se listas de quem é e de quem não é de Abril; de quem é e de quem não é herói. Este jogo chega a atingir os limites do brincar com a memória crítica de quem viveu os acontecimentos, tentando reescrever a história, mutilando-a. E é por isso que os “oficialmente” identificados como heróis de Abril, vítimas muitas vezes de si próprios, e destas vicissitudes, vão aparecendo como heróis sem a consistência necessária para serem tais.
O povo, esse não cabe, nem poderia caber, nas listas. Deixou o palco da rua e os celebrantes subiram ao palanques das comemorações decorativas e do elogio fácil. Do elogio fútil. Do elogio mútuo, onde cabe tudo. Assim, as comemorações foram perdendo o espírito de Abril, restando-lhes quase só o simulacro.
Mas o que é que foi ou como é que foi verdadeiramente o 25 de Abril? Que resta dele? O que é que se perdeu e o que é que se ganhou? Como recuperar o seu sentido épico?
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*Notas:
1 - A continuar nas Sete Peles ; este texto foi escrito à pressa, e com base nos apontamentos por que orientei a minha intervenção sobre o 25 de Abril, ontem, dia 23, na Escola Secundária Carlos Amarante, em Braga; aqui ficam também os meus sentidos agradecimentos a essa escola, e ao honroso convite que me fizeram.
2 - Dedico este texto a todos os professores que estiveram na manifestação de 8 de Março, em Lisboa, incluindo também aqueles que não estiveram porque não puderam.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

25 da Abril! Apesar de tudo

Recebi um honroso convite para fazer uma pequena intervenção na Escola Secundária Carlos Amarante, Braga, no âmbito das diversas e louváveis actividades que esta escola periodicamente organiza. Não sendo propriamente um tema que me "galvanize", gosto de falar dele.
Logo, a partir das 19 horas, penso deixar aqui a síntese da minha intervenção.
Até breve.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

A Felicidade exige coragem

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes : mas, não me esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e que eu posso evitar que ela vá à falência !
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desaires, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixarmos de ser vítimas dos problemas e tornarmo-nos autores da nossa própria história.
É atravessar desertos fora de nós, mas sermos capazes de no recôndito da nossa alma encontrar um oásis.
É cada manhã agradecer a Deus pelo milagre da vida.
Ser feliz é não termos medo dos próprios sentimentos. É sabermos falar de nós próprios. É termos coragem para ouvir um "não". É termos segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
"Pedras no caminho ? Guardo todas, um dia vou construir um castelo ..."

Fernando Pessoa

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Senhor Mário Nogeira: Em nome da unidade, quando é que vai pedir desculpa aos professores que ofendeu? *

Escolas que rejeitaram o Memorando de Entendimento

Contabilização (12.00 horas de 17.04.2008)


Agrupamento de Escolas da Freixianda, Ourém
Agrupamento de Escolas de Cacia, Aveiro
Agrupamento de Escolas Conde de Ourém, Ourém
Agrupamento de Escolas Cávado Sul, Barcelos
Agrupamento de Escolas da Área Urbana da Guarda (Santa Clara)
Agrupamento de Escolas da Batalha
Agrupamento de Escolas da Ericeira
Agrupamento de Escolas da Ribeira do Neiva, Vila Verde
Agrupamento de Escolas de São Bruno,
CaxiasAgrupamento de Escolas de São Julião da Barra, Oeiras
Agrupamento de Escolas de Taveiro, Coimbra
Agrupamento de Escolas Dr. Correia Mateus, Leiria
Agrupamento de Escolas das Marinhas, Esposende
Agrupamento de Escolas de Almeida
Agrupamento de Escolas de Alvaiázere
Agrupamento de Escolas de Amares
Agrupamento de Escolas de Marrazes, Leiria
Agrupamento de Escolas de Oliveirinha, Aveiro
Agrupamento de Escolas de Ovar
Agrupamento de Escolas do Monte da Ola, Viana do Castelo
Agrupamento de Escolas Frei Gonçalo de Azevedo, Cascais
Agrupamento de Escolas Nº 1 de Loures
Agrupamento de Escolas Professor Carlos Teixeira, Fafe
Agrupamento de Escolas Frei Gonçalo de Azevedo, Cascais
Agrupamento de Escolas José Saraiva, Leiria
Agrupamento de Escolas Lousada Oeste
Agrupamento de Escolas Rosa Ramalho, Barcelinhos
Agrupamento de Escolas de Valdevez
Agrupamento Vertical de Escolas de Ponte da Barca

Agrupamento Vertical de Escolas Vale de Milhaços
Agrupamento Vertical de Escolas da Correlhã
Escola Básica Integrada de Colmeias, Leiria
Escola Básica Integrada João Roiz, Castelo Branco
Escola Básica Integrada da Mexilhoeira
GrandeEscola E.B.2.3 Mário Beirão, Beja
Escola EB 2.3 Álvaro Velho, Lavradio
Escola EB 2.3 da Caranguejeira, Leiria
Escola EB 2.3 de Bocage, Setúbal
Escola EB 2.3 de Montelongo, Fafe
Escola EB 2.3 de Nisa
Escola EB 2.3 de Nogueira, Braga
Escola EB 2.3 de Penedono
Escola EB 2.3 de Real, Braga
Escola EB 2.3/S de Maceira, Leiria
Escola EB 2.3 Frei Bartolomeu dos Mártires, Viana do Castelo
Escola EB 2.3 Gafanha da Nazaré, Aveiro
Escola EB 2.3 José Ferreira Pinto Bastos, Ílhavo
Escola Sec./3 Artur Gonçalves,Torres Novas
Escola Sec./3 de Latino Coelho, Lamego
Escola Sec./3 Dr. Jorge Correia, Tavira
Escola EB D. Maria II, Vila Nova de Famalicão
Escola EB 2.3/S de Arcozelo - Ponte de Lima
Escola EB 2.3 Atouguia da Baleia
Escola EB 2.3 de Caldas das Taipas, Guimarães
Escola EB 2.3 da Correlhã, Ponte de Lima
Escola EB 2.3 Dairas, Vale de Cambra
Escola EB 2.3 Carlos de Oliveira, Febres
Escola EB 2.3/S Monte da Ola, Viana do Castelo
Escola Integrada de Forjães, Esposende
Escola Secundária c/ 3ºCiclo de Henriques Nogueira, Torres Vedras
Escola Secundária Afonso Lopes Vieira, Leiria
Escola Secundária Camilo Castelo Branco, Vila Real
Escola Secundária Clara de Resende, Porto
Escola Secundária Conde de Monsaraz, Reguengos de Monsaraz
Escola Secundária D. Afonso Sanches, Vila do Conde
Escola Secundária D. Inês de Castro, Alcobaça
Escola Secundária D. Maria II, Braga
Escola Secundária D. Martinho de Castelo Branco, Portimão
Escola Secundária da Mealhada
Escola Secundária da Póvoa de Lanhoso
Escola Secundária de Arganil
Escola Secundária de Barcelos
Escola Secundária de Figueiró dos Vinhos
Escola Secundária de Lousada, Porto
Escola Secundária de Monserrate, Viana do Castelo
Escola Secundária de Olhão
Escola Secundária de Palmela
Escola Secundária de S. Pedro, Vila Real
Escola Secundária de Santa Maria, Sintra
Escola Secundária de Vagos, Aveiro
Escola Secundária do Entroncamento
Escola Secundária Domingos Sequeira, Leiria
Escola Secundária dos Casquilhos - Barreiro
Escola Secundária Dr. João Araújo Correia, Régua
Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes, Abrantes
Escola Secundária Eng.º Acácio Calazans Duarte, Marinha Grande
Escola Secundária Francisco Rodrigues Lobo, Leiria
Escola Secundária Ibn Mucana, Cascais
Escola Secundária Infanta Dona Maria, Coimbra
Escola Secundária Madeira Torres, Torres Vedras
Escola Secundária Maximinos, Braga
Escola Secundária Padre António Vieira, Lisboa
Escola Secundária Pinhal do Rei, Marinha Grande
Escola Secundária Sá de Miranda, Braga
Escola Secundária Sebastião da Gama, Setúbal
Escola Secundária de São Pedro, Vila Real
Escola Secundaria de Tavira
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*Notas:
1 - Em itálico e a negrito as escolas dos distritos de Braga e de Vianoa do Castelo;
2 - Um abraço muito especial aos colegas da Ribeira Do Neiva.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Nós não somos a voz do dono

Mário Nogueira, dirigente da FENPROF, e porta voz da Plataforma dos Sindicatos é também nosso dirigente, é também nosso porta voz. E quem está a dizer nosso, está a dizer dos professores. E isto devia ser para ele uma honra e um elogio. É que a “esmagadora maioria” dos professores não é da FENPROF, nem é de nenhum sindicato. E mesmo aqueles que são, não são “propriedade pensante” dessas instituições necessárias, e que nós queremos unidas, e sempre ao nosso lado, para estarmos do lado deles.
Não sei se ele percebeu que o que estou a dizer devia ser elogio para ele. Ele não deve ter percebido bem o que está a acontecer. Há que lhe dar um tempo a ver se ele entende o que se está a passar. Eu não quero acreditar que ele já tenha entendido e faça as declarações que faz.
Isto não é discurso anti-sindicalista. Seria estúpido e até injusto. Os sindicatos terão o nosso apoio. Mas têm que olhar para os professores, e não para estatísticas que “provam” o que cada um quer que se prove.
Eu não quero acreditar que ele faça o discurso arrogante de contar espingardas como aquele da “esmagadora maioria” das escolas que aprovou a “Moção”, toda muito certinha, toda em letra pequenina, toda pronta a aprovar ou rejeitar, fazendo de conta que nos plenários não se ia discutir coisa nenhuma, ou que se iam dizer umas tretas, ou aproveitar o plenário para ter uns furos no horário.
Ele sabe muito bem que em muitas escolas nem se fez plenário. Noutras foi mesmo só entrar, aprovar a moção e sair. Em muitas, muitas mesmo(talvez aqui caiba melhora “esmagadora maioria”, não houve serenidade bastante para reflectir em conjunto, e foi-se pelo mais óbvio. O acordo só se soube no sábado. Os professores só se encontraram em intervalos de aulas na segunda-feira. Cá no norte, a segunda feira foi para tratar das concentrações. E hoje, terça-feira de manhã, lá estávamos nós.
Poderá até vir a provar-se que a “esmagadora maioria” aprovou essa moção. E daí? Isso a mim, que votei contra, não me incomoda nada. Terei apenas que reconsiderar e ver onde é que melhor caibo ao lado dos professores e dentro desse contexto. E ficarei até todo contente se o tempo vier a dar razão a quem a aprovou. E não vou desrespeitar quem achou por bem aprová-la. Mostrarei o meu ponto de vista. E estarei disposto a reconsiderar. Não achará ele que o mesmo se deve a quem não aprovou a Moção, por aquilo lhe saber a pouco?
Também não quero acreditar nas declarações que ele fez e que vêm hoje numa notícia do Público. Devem estar fora do contexto, ou outra coisa qualquer.
Nós apoiamos os sindicatos. Mas esse apoio não é incondicional e automático. E os dirigentes sindicais devem saber, a começar pelo Mário Nogueira, que os professores os apoiam, mas não são só deste ou daquele partido. A maioria talvez não seja mesmo de partido nenhum. É o que acontece comigo.
Que o Mário Nogueira não caia no discurso e nos métodos de acção em que a ministra caiu. A não ser que ele queira ficar só com a FENPROF, o que seria um erro crasso, para ele e para nós.
Mas eu acho que tudo é um equívoco. Eu acho que ele não está a querer dividir os professores.
Nós estaremos com ele. Mas ele tem que estar connosco. E se não concordarmos com ele, ele, ao menos, terá que nos ouvir sem que comece a disparar à toa, vendo inimigos em todo o lado. Não é verdade.
Lamento imenso, mas também digo não ao acordo. isto é, ao entendimento. E quero dizê-lo aqui. Agora. Logo após ter chegado da manifestação de Braga, de que gostei, e de que dei nota Já sei que me vão perguntar: e que alternativa propões? E então perguntarei eu: por que não perguntaram isso antes desse tal entendimento?Eu escrevi sobre a chantagem que fizeram com os professores contratados. Disse até que a ministra os tinha tomado como reféns. Mas agora estou a ver que eles também servem como uma espécie de "escudo" contra quem diverge do acordo, quero dizer, do entendimento.Outra coisa: eu não admito que me mandem actas feitas para eu assinar no fim assim sem mais esta ou aquela.Ele faz algum sentido dizer cobras e lagartos - aliás, com toda a justiça - e depois aceitar pacificamente, porque os sindicatos assim acharam, que ele se aplique um ano inteiro? E depois, os sindicatos, prometem ouvir os professores acerca de sugestões, e até sobre formas de luta contra esse tal modelo, depois de o consentirem, depois de o assinarem?

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Braga voltou à rua e sorriu cansada

Hoje. Dia 14 de Abril. Pela segunda vez, em Braga. A partir das 21:00. Foram chegando. Desta vez mais cabisbaixos. Mais receosos. Apareceria alguém? E quantos? Os bastantes para continuar a ter força e respirar esperança? Um número digno? Houve de novo abraços. Mais vagarosos. Menos palavras. De novo sorrisos. Cansados. Alguns quase tristes. A mesma afectividade da primeira vez. E sempre a mesma pergunta: quantos estarão aqui? E lá se ouvia uma e outra voz mentindo. Muitos.
A praça foi-se compondo. Às dez horas respirou-se de alívio. Afinal, estavam mesmo muitos. Não tinha havido grande mobilização. As pessoas gastaram-se na espera do "entendimento" entre os sindicatos e o ministério. E o entendimento, nem de propósito, apanhou-os fora da escola, no fim de semana. Só hoje é que se avançou no contacto um a um. E havia aquela coisa nada bem digerida do tal "acordo" que, afinal não é. E os de longe, hoje não vieram. Mas, afinal, mesmo assim eram muitos. Uns 1500 professores. Contas por defeito. Um sucesso, dadas as circunstâncias. Os professores de Braga continuam de pé. Cansados. Mas de pé. E sem vontade de se venderem por trinta dinheiros.
Ouviam-se queixas. Ouviam-se dúvidas. Faziam-se perguntas a que não se sabia ou não se queria responder. Depois houve discurso. Oficial. Com aparelhagem a ampliar o som. Ao contrário da primeira vez. Os professores foram ouvindo. E bateram palmas uma e outra vez. Nunca quando se "explicava" o "acordo", que, afinal, não é; sempre que ao de leve, e numa perspectiva longínqua e desresponsabilizante, se falava nos verdadeiros motivos da queixa e da mágoa que os professores guardam no peito.
Rostos preocupados. Rostos interrogativos. Pessoas a quererem crer. Ainda. Pessoas conscientes que fizeram tudo. Que deram tudo. Física e psicologicamente
. Em nome duma causa justa: a dignidade, o respeito, a Educação pública, a justiça, a democracia, a solidadariedade. Mas que começam a duvidar ao ouviram cantos de vitória no acessório, sem que se enfatize o essencial. E o essencial é a revisão urgente do Estatudo da Carreira Docente; o essencial é o anulamento daquele concurso injusto e ilógico para "titular"; o essencial é rever o Estatudo "anormal" e irresponsável do Aluno; o essencial é a exigência de um modelo de Gestão Escolar, que não ofenda a democracia e que não deixe "partidarizar" as escolas; o essencial é a rejeição do iníquo modelo de avaliação proposto, e não a sua aplicação "suave" durante dois meses.
Dadas as circunstâncias, foi muito bom ver mais de 1500 professores sairem à rua em Braga. E foi muito bom ver que ainda não desistiram. E que mostraram a todos - até aos sindicatos -, que não será pela parte deles que o barco se afunda.
Que os sindicatos cumpram a sua função
. Mas que não se iludam com pequenos pedaços de toucinho "estragado". Os professores, esses não se iludirão.
Obrigado, colegas de Braga.
É sempre bom estar entre gente.
Gente cansada.
Gente magoada.
Mas gente que é gente, e que segue em frente.

CONCENTRAÇÃO! NÃO FALTES! HOJE DECIDE-SE A RAÇA DE QUE SOMOS FEITOS!

1 - Reina a polémica em volta da assinatura do "acordo / entendimento" entre a ministra e os sindicatos;
2 - A imensa maioria dos professores estão descontentes, e muitos acham mesmo que foram traídos; o ambiente nas escolas não é de celebrar "vitória"; não vi um único colega a defender convictamente a imagem dos sindicatos; mas vi-os com o mesmo ânimo na disposição de reivindicarem a revogação ou alterações profundas no Estatuto da Carreira Docente, Estatuto do Aluno e no Modelo de Avaliação, que foi travado, mas não foi suspenso, tendo simplesmente sido "adiado" por uns mesitos;
3 - Alguns colegas estão a fazer das tripas coração para tentarem defender a imagem dos sindicatos; isto acontece principalmente em alguns blogues; alguns dos argumentos que apresentam são válidos, merecem atenção, desenvolvimento e apoio; outros têm apenas a intenção de defenderem a sua dama, que, neste caso, não é a ministra;
4 - O acordo, na sua simbologia, pode ter para os professores um mérito muito importante; assim o saibamos entender e mostrar; assim os sindicatos o entendam também; mas não foi uma vitória em relação aos objectivos que tínhamos e temos; pode também ser entendido como uma vitória para a ministra, se nos desunirmos em recriminações de enfraquecedoras; é uma discussão a travar;
5 - Hoje essa discussão não é prioritária; o que está feito está feito: os sindicatos lá saberão das suas razões e dos seus interesses, e nós cá estamos para ouvi-los, e apoiá-los, ou mandá-los às urtigas, se for isso o que eles querem; mas eles não "devem" querer perder os professores (estou a medir as palavras);
6 - Hoje, as nossas energias devem ser canalizadas - em nome dos ojectivos referidos no ponto 2 -, para as concentrações anunciadas em várias localidades do Norte, e para a mobilização e preparação do debate nas escolas, amanhã, dia 15; isto é que é urgente agora; o resto fica para depois;
7 - Nada está ainda ganho. Nada está ainda perdido. Não podemos parar, que nada está ainda decidido.

HORÁRIO DAS CONCENTRAÇÕES DE HOJE:

VILA REAL - Praça do Município, 19h00;
PORTO- Praça da Liberdade, 19h30;

BRAGA- Av. Central, 21h00
BRAGANÇA - Pc Cavaleiro Ferreira, 21h00
VIANA DO CASTELO - Praça da República,21h00

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Em frente, que onde há sonho há gente

O Presidente da República, Cavaco Silva, promulgou hoje, sexta-feirra, o diploma sobre a Gestão e Administração Escolar, que lhe foi apresentada pelo governo "socialista".
Uma decepção. Mas previsível. Decepção porque:

1 - O diploma, agora promulgado, mantém as incompatibilidades com a Lei de Bases do Sistema Educativo, incompatibilidades essas herdadas da lei anterior, e que nunca ninguém relevou convenientemente; além disso, e abrindo mão da dita "competência automática" que a ministra afirmava acerca dos titulares, este diploma abre as portas a professores não titulares para o cargo de "director de liderança forte"; dir-me-ão que isso é bom; mas é uma incongruência, quando o não titular não pode ser coordenador; e permite os tais jeitos para nomeações convenientes;

2 - Quando exigiu "sinais positivos" das bandas do ministério da Educação, e quando disse que os "professores deviam ser respeitados" (cito de cor), os professores esperavam bem mais dele, mesmo não querendo nem precisando de fazer dele um D. Sebastião qualquer; e não vou enumerar, porque estão mais que enumerados, os passos que a ministra foi dando para isolar, desrespeitar e ofender os professores, e que o Presidente da República deve conhecer muito bem;

3 - Afinal, foi ele que acabou por dar um "sinal positivo" à ministra, por quem diz ter consideração pessoal - e isso é lá com ele -, e ao governo socilaista, principalmente ao Senhor Engenheiro injustiçado, cuja avaliação académica é digna de medalha de mérito; a ministra e o ministro, também ele de "liderança forte", vão fazer render o peixe com esta promulgação; já o devem estar a fazer; mas eu até acho que é bom.

Resta-nos continuar. Com lucidez e coragem. Mas continuar.
Na segunda-feira, dia 14, é dia de concentração cá para as bandas do Norte.
Em frente, que onde há sonho há gente.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Um só caminho: resistir ao pântano da hipocrisia

Escola Secundária Conde de Monsaraz
Moção

Face às recentes alterações introduzidas na organização das actividades das escolas, nomeadamente a Lei 3/2008 (Estatuto do Aluno), Dec.Lei 3/2008 (Educação Especial) e Decreto Regulamentar 2/2008 (Avaliação de Professores), a Assembleia de Escola da Escola Secundária Conde de Monsaraz vem expressar a sua apreensão:

1. Pelo grande volume de informação a ser analisada e implementada em prazos demasiado restritos, uma vez que esta Escola não dispõe de recursos humanos suficientes para estudar e dar cumprimento às medidas legislativas e à reformulação dos seus documentos internos, em especial Regulamento Interno e Projecto Educativo, por exemplo;

2. Pela ausência de requisitos previstos nas próprias normas legais, a título de mero exemplo, os documentos orientadores da Avaliação de Professores;

3. Pela perturbação resultante do excesso de informação que envolve os temas referidos, e que não encontra confirmação legalmente sustentada, no que diz respeito à aplicação do Estatuto do Aluno, ou avaliação simplificada das regras de Avaliação de Professores;

4. Porque, do ponto de vista institucional, consideramos insuficientes as declarações de responsáveis políticos veiculadas pela comunicação social ou as circulares oficiais cujo conteúdo não parece obedecer à letra e espírito da legislação vigente.

Assim, a Assembleia de Escola recomenda a todos os órgãos directivos e pedagógicos desta comunidade escolar a observância estrita das normas legais em vigor, dentro dos limites dos recursos disponíveis, reconhecendo que o processo legislativo obedece a procedimentos e a hierarquias estabelecidas, que não podem ser ultrapassadas, e que as normas só ganham força de Lei quando promulgadas pelo Presidente da República e publicadas em diário da República. Qualquer antecipação, interpretação, simplificação ou orientação manifestamente contrária à Lei e a deliberações dos Tribunais deve ser ignorada. Ao inverso, não pode ser ignorada a suspensão dos procedimentos em matéria de Avaliação de Professores enquanto não for dirimido o conflito jurídico levantado pela interposição de providências cautelares sobre a matéria em apreço.

A Assembleia de Escola repudia a avaliação simplificada dos docentes contratados, o que se traduz numa discriminação susceptível de questionar a sua dignidade profissional.

A Assembleia de Escola repudia a aplicação antecipada de orientações que, embora já aprovadas pelo Governo ou pela Assembleia da República, careçam ainda da intervenção do Presidente da República. Nesse sentido, dando cumprimento ao Decreto Lei 115-A/1998, e aproximando-se o fim do mandato desta Assembleia e do Conselho Executivo, recomenda-se que sejam iniciados de imediato os preparativos relativos aos respectivos processos eleitorais.

Reguengos de Monsaraz, 2 de Abril de 2008
...............
Dar conhecimento:
Assembleia da República
Presidente da República
M. E.
D. R. E. A.
Plataforma Sindical de Professores
Sindicato dos Professores da Zona Sul
Sindicato Democrático dos Professores do Sul
Assembleia de Escola dos Agrupamentos e Escolas da área geográfica da D. R. E.
Órgãos de Gestão intermédios da nossa escola.

terça-feira, 8 de abril de 2008

É a pronúncia do Norte / Esta voz que sai mais forte (II)

E, no Marquês, houve uma explosão de contentamento. Que o sorriso vos acompanhe sempre; e que sempre juntos; e sem abdicar nunca dum estatuto digno; pois o que temos está ferido de indignidade; assim foi a 8 de Março; assim seja hoje, depois da reunião da Ministra com a Plataforma Sindical; há que estar atento.
Pausa na viagem; a única; aquilo foi uma aflição para conseguir um café; e uma longa fila de espera para assuntos mais prosaicos ainda; os homens desistiram da fila; uns atrevidos sem vergonha.
Um casalito especial: a Marta, minha ex-aluna, e o namorado; eu devia puxar-lhe as orelhas pelo atrevimento; é que eu só autorizo "namoros" depois dos 35 anos; e com reserva. As outras colegs, principalmente a do sorriso franco, compõem o ramalhete.
Conversas conspirativas contra a ministra? Predominam as mulheres, as mais aguerridas.
Caras bonitas e com esperança. A jornada adivinhava-se linda. Pelo caminho, a alegria cresceu. E, no Marquês, houve uma explosão de contentamento. Mas a "viagem" é longa. E deve continuar.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

A balbúrdia "reformista", a Ministra e o Presidente

1.
Todos os dias acontecem, nesta ou naquela escola, casos de indisciplina mais ou menos graves, e, alguns, excepcionalmente graves. São problemas com os quais a escola, no seu conjunto, tem que saber lidar. E, para tal, tem que ter regras claras e simples, que possam ser aplicadas atempada e eficazmente, para a prevenir, para a minimizar, para a conter nos limites mínimos da razoabilidade. Não será tarefa simples nem rápida, que se faça por “decreto”, mas é uma realidade que temos de enfrentar.
Claro que para enfrentar este problema, o professor é um elemento fundamental. Mas não pode ser o único responsável, muito menos quando as coisas não correm mal. O professor tem que ter o suporte legal, que lhe permita agir com segurança, e contar com o apoio positivo e co-responsável da comunidade escolar. Não pode mais tolerar-se que o professor, quando as coisas correm mal, se transforme facilmente numa espécie de bode expiatório, como se fosse ele o “culpado”, quer tenha culpa ou não.
Quando actos de indisciplina grave atingem os limites do intolerável, então, sim, terá que ser estabelecida uma fronteira clara entre indisciplina e violência, ou até crime. E, só ultrapassada essa fronteira, é que deve entrar a polícia e os tribunais. E não há que hesitar na defesa desta fronteira, embora se reconheça, e tenha que se ter sempre em consideração que essa fronteira exigirá, muitas vezes, cuidada ponderação.
2.
Os casos recentes, de indisciplina e violência, foram muito badalados. E provaram isso mesmo: que são necessárias regras claras, simples, eficazes. E que elas não existem. Existe é uma balbúrdia de regulamentos díspares, que desresponsabilizam os pais, que desresponsabilizam os executivos, que desresponsabilizam a sociedade em geral, permitindo que, levianamente, se crucifique o “professor”, quando isso convém ao “status” estabelecido, e que esteja mais na moda. Pode, também, e em "alternativa", crucificar-se o aluno. É sempre mais simples apontar o dedo só a um.
O caso da Carolina Michaelis é bem ilustrativo disto tudo: o conselho executivo da escola parece que não existia; o director de turma, esse também não apareceu; muitos dos nossos comentaristas atiraram-se à professora, uns de forma mais pudorada, outros mesmo sem pudor algum; alguns pais “aproveitaram”, e arranjaram desculpas, culpando a professora também.
Com as imagens chocaram, a Comunicação Social insistiu e insistiu e insistiu. E, caso raro, desta vez insistiu bem. Foi um choque nacional. Muita gente acordou ao ver aquilo: os professores aumentaram o seu nível de indignação; os nossos alunos viram ali mesmo ao vivo o disparate que aquilo foi, e não gostaram do que viram, e não se revêem naquilo; os pais viram o que alguns jovens descontrolados são capazes de fazer, e aquilo a que um professor pode estar sujeito em questões de disciplina.
3.
Foi bom terem repetido tanto aquelas imagens chocantes. Isso fez com que o problema saltasse claramente para fora dos muros da escola, onde tem estado mais ou menos em “repouso”, mais ou menos escondido. Obrigou a pensar e à tomada de posições que, mesmo que contraditórias, ou apenas divergentes, deram o seu contributo para acordar um pouco o país.
E, muito importante - por mais que isso desagrade à senhora ministra e à política “educativa” do iluminado José Sócrates -, a divulgação deste caso, bem como a discussão que motivou, permitiu que ele se ligasse a problemas que vêm de trás, dando-lhes maior visibilidade. Vêm esses problemas de há muito tempo. Vêm de há mais de trinta anos.
A verdade, porém, é que esta ministra - cumprindo desastradamente a política economicista, arrogante e sem escrúpulos deste governo -, deu um “contributo” importante para potenciar, problemas antigos e latentes, que eles incendiaram.
Na verdade, a senhora ministra e os seus desautorizaram, desrespeitaram e tentaram “linchar” publicamente a dignidade do professor; vieram com o Estatuto da Carreira Docente duma forma injusta, apressada e arrogante, sem quererem ouvir ninguém; vieram com o Estatuto do Aluno, um documento que deveria servir como prova de insanidade, pela aberração que é, e pela permissividade irresponsável que contém; vieram com uma autêntica enxurrada de regulamentos e de normas inaplicáveis, sem sentido, incongruentes, disparatados; segundo elas, o professor é responsável por tudo e todos; o professor torna-se “escravo” a quem querem tirar a liberdade de pensar e de agir; o aluno deixa de ser responsável pelo seu comportamento; o aluno deixa de ser responsável pelo seu aproveitamento; o aluno pode faltar quando bem lhe apetecer e as vezes que lhe apetecer; os professores foram humilhados, até na comunicação social, por qualquer debitador de opinião sem fundamento.
Ora, esta loucura tem de parar. E tem que acabar. O país não aguenta mais uma irresponsabilidade assim. Uma mediocridade assim. Uma arrogância assim. Uma desvergonha assim.
4.
O país ficou chocado. O Presidente da República também. Ele assim o afirmou. E mandou convocar o Procurador Geral da República e representantes da plataforma sindical.
Eu acho que ele devia era chamar a ministra e, porque diz que tem consideração pessoal por ela, deveria aconselhá-la a sair com alguma dignidade, saindo pelo seu pé. Ou, então, chamar José Sócrates, com quem bem se tem entendido, e, em nome desse bom entendimento, deveria aconselhá-lo a mandar embora o peso morto que a ministra hoje já é.
Eu desejo as melhoras ao senhor Presidente da República. Desejo sinceramente que ele recupere depressa da gripe que o atacou. E desejo que ele ouça bem o Procurador Geral da República e os nossos representantes legais, os sindicatos.
Mas desejo mais ainda: que convoque a senhora ministra, e que sobreponha ao apreço pessoal que por ela tem o apreço que ele tem pelo país - e eu sei que tem. E isto só significa que tem que a chamar à razão; ou, então, que convoque José Sócrates e simplesmente lhe diga que com a Educação não se pode jogar o jogo pindérico de campanhas eleitorais a destempo.
Faça isso, senhor Presidente.
Faça a sua obrigação.
O país ficar-lhe-á grato.

Um só que fosse, já valia a pena*

BOM DIA, Senhor Tempo.
Certamente conhece muito bem este poema, mas nãoresisti a enviar-lho. É que o debate de ontem, na RTP1 (mais um...), a isso me obriga!
Passe bem.
................................

QUANTOS SEREMOS?

Não sei quantos seremos, mas que importa?!
Um só que fosse, e já valia a pena.
Aqui, no mundo, alguém que se condena
A não ser conivente
Na farsa do presente
Posta em cena!

Não podemos mudar a hora da chegada,
Nem talvez a mais certa,
A da partida.
Mas podemos fazer a descoberta
Do que presta
E não presta
Nesta vida.

E o que não presta é isto, esta mentira
Quotidiana.
Esta comédia desumana
E triste,
Que cobre de soturna maldição
A própria indignação
Que lhe resiste.

Miguel Torga
___________

Nota: Poema que a Cova da Moura gentilmente me enviou por mail, e que agradeço. Um abraço agradecido.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Drama e tragédia, ou tragicomédia?

In Público, 28.03.2008, p. 10, por Andreia Sanches
Mais professores querem trocar a sala de aula pela reforma antecipada

Indisciplina dos alunos, cansaço, e "burocratização" da profissão são algumas das razões que docentes invocam para deixar de ensinar

Antes de ser publicado o novo regime de aposentação para os funcionários públicos o telefone do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa, afecto à Fenprof (Federação Nacional de Professores), tocava várias vezes ao dia com pedidos de informação. "Recebíamos dezenas de telefonemas de professores a perguntar quando é que saía a nova lei", conta o dirigente sindical Manuel Grilo.
Quando, em Fevereiro, as novas regras foram finalmente publicadas, os professores "começaram a fazer contas". E nas escolas passou a ouvir-se com mais frequência: "Estou cansado, vou-me embora."
"São professores empenhados que sentem que o seu trabalho não é reconhecido, que se aposentam por desânimo, que se queixam de uma excessiva burocratização da profissão", diz também Rita Bastos, presidente da Associação de Professores de Matemática.
São, continua Manuel Grilo, "pessoas que estão no máximo da sua capacidade de ensinar", com muita experiência, mas que preferem perder dinheiro, sujeitando-se a penalizações na pensão, a continuar a dar aulas até chegar à "idade legal" para se reformarem.
Porquê? "Tem a ver com os horários de trabalho excessivos, com problemas de indisciplina dos alunos. O discurso de que os professores não querem ser avaliados não ajuda. Os alunos dizem: "Então o senhor não quer ser avaliado e quer-nos avaliar a nós?"" - conta Manuel Grilo.
A Caixa Geral de Aposentações fez saber que não dispõe de dados que permitam analisar qual tem sido a evolução do número de professores que tem antecipado a aposentação.
Contudo, também João Dias da Silva, secretário-geral da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (Fne), diz que os pedidos de informação sobre aposentações antecipadas que chegam aos sindicatos têm aumentado muito. Só ao Sindicato dos Professores da Zona Norte chegaram mais de cem desde Janeiro de 2007. A avaliação do desempenho e a divisão da carreira em duas categorias são as razões mais apontadas por quem se dirige aos serviços.
"Há um desgaste e muitos professores passaram a ter que trabalhar mais do que as 35 horas semanais para fazer tudo: as reuniões, os projectos para isto e para aquilo, as candidaturas a financiamentos, preparar os novos cursos de educação e formação e as visitas de estudo", para além das aulas, da correcção dos testes, da investigação, continua Dias da Silva.
O dirigente recorda que "até 2006 os professores tinham a expectativa de poder aposentar-se aos 36 anos de serviço e 60 de idade", e organizaram a sua vida em função disso. Depois, as regras mudaram "e obrigam-nos a trabalhar mais". O regime criado em Fevereiro último - que facilita a aposentação antecipada - é pois visto como uma oportunidade "e todos os sinais que nos chegam levam a crer que os professores vão usá-la mais" do que outros funcionários públicos, diz Dias da Silva.
De acordo com a lei, este ano pode pedir aposentação antes do tempo quem tiver 33 anos de serviço, independentemente da idade, sendo a pensão reduzida em 4,5 por cento por cada ano que faltar para atingir os 61 anos e seis meses de idade. A partir do próximo ano volta a haver limite de idade. Sebastiana Lopes, 58 anos, 29 de aulas, professora titular na Escola Secundária de São João da Talha (Loures), pensa entregar já em Outubro os papéis. "Não tem só a ver com as medidas que têm vindo a ser tomadas. Tem a ver com o meu próprio cansaço, com o desgaste da profissão." Já não consegue, diz, "fazer aquelas madrugadas que fazia para preparar as aulas". E sente-se mal quando não as prepara, o que às vezes acontece porque simplesmente não tem tempo, este está todo dedicado a outras tarefas.
--------
Notas:
1.
É impressionante ver nas páginas 10 e 11 do Público, de hoje, dia 28, os "Retratos de seis docentes com currículos dignos de nota que preferem ser penalizados monetariamente a continuar a exercer a profissão que escolheram".
2.
Eu conheço um deles. Apetece gritar. Eu grito. E choro. E peço-lhes que fiquem. Que esta loucura não pode continuar.
3.
Tentarei fazer uma síntese desses retratos, ou -los aqui na íntegra.
4.
Obrigado ao Público; obrigado às jornalistas Andreia Sanches, Natália Faria, Graça Barbosa Ribeiro, e ao jornalista Idálio Revez.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Aos colegas onde impera um terrorismo ameaçador! Estamos convosco! Não nos vamos calar!

1.
Já há muito se diz - e o Eça disse-o muito bem n' Os Maias, como os nossos ex-alunos bem sabem - que se importa tudo de fora. Só que este "importar tudo de fora" se refere pejorativamente ao que se importa mal: ou porque é mau, e, então não vale a pena; ou porque, não sendo mau no local donde vem, "não tem as nossas medidas", pelo que sempre nos fica o fato "curto nas mangas". Mas, continuando com o Eça, e recorrendo ao "impagável" Dâmaso Salcede, se vem de fora então é "très chic", é mesmo "chic a valer".
Podia fazer um "bonito", aprimorando as citações, mas isso não me importa agora, e citei tudo de cor. E vou passar adiante, que nestes últimos dias já falei no Eça umas três vezes. E eu até sou dos poucos que admiro muito o seu estilo , mas acho que com um estilo assim, podia ter ido mais longe. Adiante, pois.
2.
Se a reforma é copiada, isso pouco me interessaria, se ela tivesse tivesse lógica, e trouxesse algum proveito a este nosso "reino" encravado em tempos de desvario legislativo, que está a criar feridas, que podem tornar- se gangrenas.
Temos gente que sabe responder muito bem àqueles que nos atacam. E isto está a ser feito. E bem. Orgulho-me de ter descoberto tanta variedade e tanta qualidade na intervenção dos professores. Há que continuar neste capítulo, batendo-nos de igual para igual. E disso não temos medo.
Já não digo que as coisas estão a correr tão bem no que se refere às intervenções nas escolas. Não podemos descansar, pensando que está tudo resolvido. Não está. Há muitas tomadas de posição - um pouco tardias, mas está bem! -, de conselhos executivos e de conselhos pedagógicos (as minúsculas não são inocentes). São bem vindas, mesmo que só agora. Mas não nos podemos iludir:
- Porque não basta pedir só o adiamento da aplicação deste modelo de avaliação; espera-se, no mínimo, a sua suspensão, sem que essa suspensão implique que o aceitemos de braços abertos logo daqui a uns meses, na forma que ele tem;
- Porque, se o clima se tem desanuviado - numas escolas mais, e noutras menos -, escolas há em que impera um terrorismo amedrontador; há ameaças constantes e aos berros de "processos disciplinares", só por ter-se opinião, só por ser-se testemunha dum qualquer acto que não convém ao "império" do medo; eu sei que é o desespero, mas a verdade é que os colegas dessas escolas estão a ser submetidos a um "assédio moral" desmedido e despropositado.
- Porque o autoritarismo não reside apenas no tal que só usa os dois primeiros nomes, em jeito de nome artístico, assinando-se José Sócrates; nem tão pouco na ministra, um corpo estranho e cancerígeno enquanto se mantiver formalmente no posto; o autoritarismo está mais próximo, e por isso mais ameaçador e terrorista, nos "mandaretes" medíocres, que não sabem ser professores, que se acham grandes avaliadores poderosos e sábios; que têm compromissos a cumprir, seja de que maneira for, para manterem lugares "nomeados".
3.
Não podemos desviar a atenção destes senhores "ditadores" desesperados e pequeninos. Não podemos deixá-los impunes nas "coutadas" que acham suas. Há escolas onde os professores não falam. Há escolas onde se "proíbem" professores de assinar quaisquer papéis, nem que seja em legítima defesa sua, ou defesa de colegas.
Lembram-se daquele jovem professor "revoltado" que falou nos "Prós e Contras"? Como acabou aquele caso? Melhor, como é que decorreu o caso? Por que é que o vexaram? Por que é que o calaram? Por que é que os colegas dele não apareceram a esclarecer os factos? Quais foram as testemunhas ouvidas? Os colegas abandonaram-no?
Eu estou certo que não, que Ribeirão foi das primeiras escolas a levantar-se contra a opressão e contra a humilhação. E que primeiro e mais se alevanta, é sempre o primeiro e mais sofre a investida adversária, as mais das vezes, hipócrita e traiçoeira.
Eu gostava de saber o que se passou em Ribeirão.
Eu acho que dava uma linda história.
----------------
Nota: Não conheço o professor revoltado; não conheço a escola dele; sei que se chama Escola de Ribeirão (e nem disso tenho a certeza); sei que fica ali para os lados de Famalicão; mas gostava de saber como tudo se passou. Eu não acredito que ele tenha inventado. Caiu foi numa armadilha.

terça-feira, 25 de março de 2008

Assumir responsabilidades (III); o pior cego é o que não quer ver

1.
Presidentes de cerca de 20 agrupamentos de escolas e de escolas secundárias do distrito de Coimbra apelaram hoje à ministra da Educação para suspender o processo de avaliação dos professores até ao final do ano lectivo.
Num documento divulgado hoje, após reuniões de presidentes de conselhos executivos, defendem também o «o reatamento imediato do diálogo com a Plataforma Sindical e outras organizações representativas dos professores, a fim de analisar a situação actual e encontrar formas de entendimento».
2.
Os presidentes dos conselhos executivos destas escolas e agrupamentos de escolas do distrito de Coimbra defendem ainda que, «uma vez que não é possível serem cumpridos os requisitos mínimos para a avaliação dos professores contratados, bem como dos professores que completam ainda no presente ano lectivo o tempo necessário para a progressão, propomos que sejam tomadas as medidas necessárias para a sua avaliação nos moldes antigos (Decreto-Regulamentar nº 11/98 de 15 de Maio), de forma a não haver prejuízos para os referidos docentes».
3.
Os professores do agrupamento de escolas de Montemor-o-Velho decidiram também, hoje, suspender todas as actividades relacionadas com a avaliação de desempenho.Em declarações à Lusa, Francisco Queirós, docente daquele agrupamento, explicou que os professores realizaram hoje de manhã uma reunião geral, convocada pelo conselho executivo, na qual foi aprovada uma moção a declarar que não estão reunidas as condições mínimas para prosseguir com o processo. A moção foi aprovada por 94 dos 99 professores presentes.
4.
Muitas posições idênticas, e outras já mais antigas, têm sido amplamente divulgadas na Internet, ora por Conselhos Executivos, ora por Conselhos Pedagógicos, ora por Departamentos.
«Na prática, o processo está parado na grande maioria das escolas», afirmou à Lusa o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira.
A Lusa tentou contactar a este propósito a ministra da Educação, mas ainda não conseguiu tal feito.
Lusa/SOL
.................
Nota: Texto abreviado da agência Lusa; ver texto completo in Movimento dos Professores Revoltados.

sábado, 22 de março de 2008

É a pronúncia do Norte / Esta voz que sai mais forte!

Já o está a pagar bem caro. Basta olhar e ver. E a cada dia que passa, sem ministra da Educação, mais caro o pagará.
Ora vejam lá, meus senhores, professores "desalinhados" e estas pobres professoras a fazer "tristes figuras". Só não vê quem não quer ver.
Ora vejam lá também estes "pseudo-professores", uns autênticos holligans, que desceram a Lisboa, enchendo-a de "selvajaria".
E vejam a ousadia destes outros senhores "holligans" desalinhados, e destas outras senhoras a fazer "figuras tristes", que ousaram dizer não, e de cabeça erguida, recusam a humilhação.
E vejam a "pouca vergonha" desta senhora do cartaz que, decidida, exige respeito, e o "bando de malfeitores" que a segue, exigindo respeito também. Linda terra, a terra deles, que é a "minha" terra também.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Parabéns, Isabel Fidalgo!

Minha cara Isabel Fidalgo!

Às vezes esquecemos pormenores importantes. Nem sempre se trata de um esquecimento palerma. Às vezes andamos muito cansados por vivermos intensos momentos de turbulência tamanha. Mas, mesmo assim, é esquecimento. E, mesmo assim, é imperdoável. Foi o que me aconteceu na segunda feira passada, dia 17.
Eu estive contigo e não te dei os parabéns pelo teu aniversário, que ocorreu nesse dia. E dizer que estivemos a falar, ainda e sempre, sobre razão que nos assiste; sobre a indignação que justamente nos aflige; sobre a lucidez cortante de sabermos que só temos grãos de areia feitos pó para atirar contra os tanques modernos desta estupidez cínica e tecnocrata que quer desmantelar o Ensino Público, esvaziando-o de conteúdo digno; sobre a consciência dorida que temos de que para o conseguirem - esses aprendizes arrogantes de autoritarismos tacanhos -, têm de esmagar primeiro a massa crítica dos professores que o são e sabem que o são - cansando-os, mas principalmente os mais velhos, com papéis inúteis, ferindo-lhes a sensibilidade, atentando contra a sua inteligência e sabedoria, ferindo o seu orgulho em ser professores, humilhando-os, tentando isolá-los, tentando que eles desistam e se vão embora, empurrando-os mesmo porta fora; roubando-os.
Falamos sobre tudo, embora em pouco tempo. Que, para quem se meteu nisto, com a nobreza dos valores à frente, não precisa de dizer as palavras todas para dizer tudo o que quer e sabe dizer. Falamos sobre isto tudo, mas eu não falei no teu aniversário. Não te dei os parabéns. E, nos tempos que correm, ter-te dado os parabéns teria sido muito mais importante que tudo o resto que te disse. É que as causas são importantes; mas mais importantes são as pessoas que ousam erguer as suas bandeiras. E tu és uma dessas pessoas.
Nunca te dei os parabéns. Mas este ano tinha obrigação de tos dar. Dou-tos agora. Vou-te oferecer um livro. Terá dedicatória: se eu tivesse a felicidade fechada na palma da minha mão, abria-a de mansinho e metia-a toda inteira dentro do teu coração. -------------
Nota:
Gostaria de poder oferecer também esta dedicatória a todos os colegas da nossa escola, a todos os colegas das escolas de Braga e a todos os colegas dos mais variados pontos do país que me têm directamente abordado, dando-me conta da sua participação nesta luta nossa pela Educação, apoiando-a, e apoiando-me sempre, o que me tem dado forças e alegrias.

domingo, 16 de março de 2008

Aos professores que sonham*

Com desassossego
Se alevanta o tempo
E agitado canta
A canção de Abril.

Quem o ouve sabe
Que é dele o cuco
E também a vinha
Que fervor lhe dão
E ainda o pisco
E um som de água
E um lençol de tanque
Que tranca na mão.

E por isso o tempo
Tem o sonho todo
De qualquer criança
Que não perde a fé
Que o tempo é breve
Mas o sonho é longo
É longo o sonho
Que o traz de pé.

*Gaivoar
------------------
Nota: Este poema nada inocente, a exigir sacrifício e a não tolerar recuos fáceis, foi-me enviado pela Gaivoar, que é a minha colega e amiga Isabel Fidalgo. É claro que o poema é dedicado a todos os professores que, como podem, vão resistindo à hipocrisia e à mediocridade do "faz-de-conta que é mas não é" dos "porreiro, pá!"

sexta-feira, 14 de março de 2008

O pisco e o cuco*

Desde Janeiro
Se alevanta o pisco
E enlevado canta
O degelo do inverno

Depois em Fevereiro
Pesquisa os valados
A acender fogueiras
De flores que estremece

E em Março sonha Outubros
De frutos maduros e novos
Olvidando sempre que o cuco
Na noite se oculta a trocar-lhe os ovos
.........
*Nota: Não sei por quê, lembrei-me deste texto. Será por causa da vontade romântica dos professores lutando e esperando, com persistência e sonho, apesar de tudo? Será por temer que os professores, no seu romantismo e sonho, e no seu cansaço, se deixem enganar, aceitando que lhes troquem as verdadeiras razões da sua indignação por uma coisinha qualquer?
Se foi por isso que me lembrei deste poema, quem serão os piscos? E quem serão os cucos?
Peço perdão ao "pisco" e ao "cuco". Às aves a sério. Tenho textos sobre eles na pasta de Julho de 2007. E gosto muito deles.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Uma farsa vicentina?

O secretário Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, admite "soluções flexíveis" no genial modelo de avaliação que copiaram, mas desde que elas respeitem "os interesses dos professores e os objectivos do Ministério de Educação". Aquilo dos interesses dos professores faz-me rir, vindo de quem vem, claro. E até admite "correcções" lá para o fim de 2009. Até lá, teríamos de o aguentar. Não será suspenso; não será experimentado.
Essas “soluções flexíveis” e essas “correcções” anunciadas são uma farsa vicentina. Espero que os sindicatos não venham a fazer parte dela.
Lendo o texto já disponível, e ouvindo o discurso no telejornais, fácil é ver que fica tudo na mesma. Nem que seja só a fingir. É claro que isso é ditado por questões de agenda política. E também de economicismos tecnocratas.
Quem pensam que estão a enganar? Que me importa a mim, professor, a agenda política do Primeiro-Ministro? Desde quando é que a agenda política mais conveniente é um valor a ter em conta?
Basta de “fazeres-de-conta”. Já aguentamos muita farsa. Basta!E não são só as razões de imagem do Primeiro-Ministro e da sua agenda política que os movem nesta farsa. São também razões economicistas. Mas a Educação, a Escola, os alunos e os professores não são fábrica nem são produtos de fábrica.
A propósito de economicismo tecnocrata, vestido de modernidade, já pensaram naquele flagelo, na sala dos professores, de ver os nossos colegas mais velhos a verem em quanto vão ser roubados, se pedirem a reforma antecipada? E eles não querem ir-se embora, desde que os deixem ser professores. Já viram o número de colocações novas que estes senhores, de teorias importadas - agora é da Finlândia, dizem, mas parecem mais importadas da América do Sul -, vão conseguir desse modo, e de que tanto se vão gabar na campanha eleitoral, à custa de “varrerem” como lixo estes colegas mais velhos?
Claro que temos de ser pacientes. Mas não podemos ser cordeiros inocentes que se entregam alegremente ao sacrifício dos “senhores”. Este modelo tem que acabar. Ponto final.
Aliás, o Primeiro-Ministro, que dizem de tanta coragem, que demonstre que a tem: que demita a ministra; que assuma a sequência de erros grosseiros; que comece tudo de novo; que comece tudo a sério.
Isso, sim, seria coragem. E nós íamos ajudá-lo no que à Educação se refere.
Mas para isso era preciso tê-los. E eu não sei se. Aliás, sei, mas acho que não devo dizê-lo.

Nota: Há expressões que em certas circunstâncias se tornam muito expressivas. E é preciso não ter medo de usá-los sem eufemismos.

terça-feira, 11 de março de 2008

Ousar agir: sugestões e documentos práticos.

É preciso continuar a luta. A primeira medida é cada um manter em si a chama acesa. Não se deixem adormecer com o sucesso da manifestação. Afinal, aquilo foi a "Marcha da Indignação". Não se fiem cegamente na promessazinha de que os calendarização vai ser alterada, dando a entender que isso é só o que os professores querem, e que até é sinal da sua "boa vontade" e da sua "inocência". Os comentadores aí estão a preparar o terreno. E até já falam em nome dos professores, dizendo que é só isso o que eles querem.
Para não me alongar, os prazos são uma pulha. Sempre foram. Os prazos não são nada. O que importa é o modelo. E nós temos que pará-lo: é medíocre; não tem lógica; é um atropelo e um insulto.
O processo tem que parar mesmo em termos oficiais, que na prática já está. Mas se não o fizermos cair mesmo, ele ficará latente, à espera que nos cansemos, à espera que desistamos, à espera que percamos força. Temos que parar este monstro de insanidade. E não se esqueçam do "Concurso para titulares".

MUITO IMPORTANTE:

. Consultar em "fjsantos.worpress.com" - (RE)FLEXÕES:

. Ler texto de 9 de Março, "Segunda-feira é dia de continuar a luta" e prestem particular atenção às quatro sugestões finais.
. Ler texto de 10 de Março, "Desta vez faz sentido usar a burocracia como arma"; guardar este texto para consulta, informação aos colegas, e para o uso necessário. No fim desse artigo aparece a palavra "Requerimento": abri-lo, copiá-lo, divulgá-lo e dar-lhe utilidade prática.

Eu vou contactar o fjsantos solicitando-lhe autorização para transcrever os documentos aqui, para que mais pessoas os conheçam e para maior facilidade de quem por cá vai passando.
Entretanto, façam o favor de ir ao fjsantos.wordpress.com - (RE)FLEXÕES.

Um abraço. E uma bandeira de esperança dentro dos vossos corações.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Sorriam. Nós somos a esperança a crescer

1 -Não tenho tempo para estar em todas as frentes. Leiam, por favor, os comentários, que eles dizem muito. Vejam a notícia da Agência Lusa, que está nas Sete Peles Sete Saias.

2 - Peço desculpa ao pessoal do norte - nomeadamente de Braga, Porto, Vila Praia de Âncora (a praia é tão linda!), Monção, e etc. e coisa e tal -, pelo facto de não ter conseguido publicar aqui algumas fotografias. Aselhice minha, certamente. Mas estão prometidas.

3 - Alguém me quer ajudar?

4 - Manter a unidade. Estar atento. Não perder as estribeiras. Cativar, se possível com suavidade, os nossos colegas, muito poucos, que ainda hesitam. Quem neste momento hesita, na verdade não hesita: não sabe é se é professor ou se é "pombo-correio" executor.
Nós não hesitamos. Porque somos professores.

5 - Se o Primeiro-Ministro não pode recuar, para não mostrar fraqueza - o que é um argumento politicamente correcto e ridículo -, nós também não podemos, que a força da nossa razão só nos impele para a frente.

domingo, 9 de março de 2008

E agora?

Agora é não esmorecer. Agora é continuar. Agora é estar atento. Agora é continuar a agir, cada um em sua escola, da forma que melhor puder ser. Mais ousado ou mais cauteloso, conforme as circunstâncias. Atenção aos mandaretes, que se quererão vingar. Há que ousar. Mas a ousadia não é sinónimo de imprudência - meu Deus, ao que se chegou para se ter que dizer isto!
Acho que devemos fazer tudo, mas tudo mesmo, para mantermos a unidade e a solidariedade entre a maior maioria possível dos docentes. Esses esforços só devem ter por limites a não cedência quanto ao respeito devido à dignidade da função docente; a não cedência na defesa da qualidade e prestígio do Ensino Público; a não cedência na defesa de uma Escola que, na diversidade das suas funções, seja baluarte de uma formação para a vida, da integridade, da responsabilidade, da democracia, da liberdade.
Não me parece que nada mais seja possível com esta ministra e com os seus ajudantes (Bem! Na verdade, eu já não percebo bem quem é que é ministro e quem é que é ajudante).
Quanto ao "orgulho pessoal e aura de autoridade" do Primeiro-Ministro, que o impedirão de demitir a ministra - que já perdeu toda a autoridade para o ser -, isso não são valores, isso não são argumentos que tenhamos que compreender, que tenhamos que aceitar. Sei que não será fácil para para o Primeiro-Ministro demitir a sua ministra. Mas isso é problema dele. E ele, seja mais tarde ou mais cedo, irá ter de responder pelas decisões que toma.
A ministra feriu-se de morte com o veneno agressivo das suas próprias palavras contra os professores, tão de demagogia, tão de omissão, e tão de humilhação. Ontem tornou-se cadáver. Mas pode ser que teimem em conservar esse cadáver, fingindo que ele ainda tem vida. E também como imagem a atiçar a indignação, a atiçar a guerra aberta para perdermos a cabeça, a ver se mais nos isola do resto da população. Até já há quem não consiga olhar para a televisão quando ela aparece.
Mas, atenção. Ela, mesmo só formalmente, mesmo só como cadáver, só poderá continuar a ser ministra com a colaboração activa, ora mais discreta e escondida, ora mais agressiva e aberta de alguns colegas que a apoiam, extravasando as suas funções: falo, principalmente, de alguns coordenadores, que mandaram às urtigas a legitimidade democrática do cargo, e, mais papistas que o papa, já se pensam nomeados, já se imaginam mandaretes sem dar satisfações a ninguém, já se imaginam avaliadores competentes, vá lá saber-se porquê; e o mesmo se pode dizer de alguns conselhos executivos, que têm o mesmo proceder, principalmente alguns presidentes, que já se imaginam "Directores", dotados de "plenos poderes", sendo dum momento para o outro, transformados em "lideres fortes", como se o saber liderar pudesse ser decretado em forma de decreto-lei. Felizmente ainda são poucos. Mas, mesmo poucos já são demais.
Esta ministra tem que sair. Não tem mais condições nenhumas.
E, se o Primeiro-Ministro não conseguir ultrapassar o seu pequeno problema da imagem que lhe contruíram a troco de alguns trocos - a imagem da determinação, a imagem de autoridade -, então a nós só nos resta continuar a lutar, acentuar mesmo a luta, até aos limites possíveis.
Foi bom ter ido a Lisboa.
Digam lá, os que lá estiveram, e estiveram quase todos - ora em presença, ora em espírito -, se não dá para rir ver certas imagens que transmitem, e certos comentários que alguns jornalistas fazem.
Vejam só a afirmação do jornalista dizendo que havia lá muitas pessoas que não eram professores, ilustrando a afirmação com uma entrevista a uma colega nossa, aposentada há doze anos, que estava a apoiar-nos, como se a aposentação lhe retirasse a condição de professora.
E vejam algumas imagens mostrando o Rossio só meio cheio, e ruas com professores seguindo em fila indiana, e com metros de distância a separar uns dos outros.
Ai, esta comunicação social!
Ai esta senhora ministra teimosa, que não se quer ir embora!
Ai, este Primeiro-Ministro que, por causa da imagem plastificada que tem, não sabe como é que se há-de livrar da sua doce, inocente e competente ministra, muito boa a insultar e a humilhar profissões. Coisa que não se pode fazer. Coisa que não vai conseguir.
Não sou de nenhum sindicato. Não sou de nenhum partido. Mas estou de acordo com quem diz que, com esta senhora, e com os seus ajudantes, já nem se pode falar.
Ai estes professores que estão a perder o medo!

sexta-feira, 7 de março de 2008

Todos a Lisboa: contra a hipocrisia; pela liberdade sem medo

Estou tão cansado. Cansado. Apetecia-me ser estúpido. Tenho a desgraça de o não ser. E a consciência disso. Nisso o Pessoa tem razão. Só me vem à cabeça aquela pintura, o grito; só me vem à cabeça aquele verso “Apetece gritar mas ninguém grita”, com uma pequena modificação que resultaria em “Apetece gritar, mas poucos gritam”.
Resisti estoicamente à entrevista dada pela ministra. Foi muito bem conseguida para os seus propósitos, os dela; e os dele, do Sócrates. Confesso que, se não fosse professor, ou se fosse professor numa escola isolada do mundo, eu ia acreditar; eu ia pensar que os professores tinham endoidecido, ou que andavam na rua a brincar, sem saberem bem porquê.
Não veio esclarecer nada. Mas já é estúpido falar nisto, porque se ela soubesse, e pudesse, esclarecer alguma coisa com lisura, a opinião pública pôr-se-ia do lado dos professores. E isso não pode acontecer, pois os professores são o cordeiro a imolar no altar da propaganda para ganhar eleições.
Voltou a falar do maior sucesso obtido nos últimos anos. Mas nunca explica que esse sucesso é fictício. E nós não temos sido capazes que demonstrar publicamente, principalmente aos pais, que esse sucesso é fictício, que os alunos não saem melhor preparados, que é um sucesso muito fácil de conseguir. Tanto que este ano o sucesso vai crescer muito mais. Mas os pais, em casa, não sabem ou não querem saber disso, e agrada-lhes aquele discurso da ministra sempre a falar em sucesso.
Falou na avaliação. E insistiu na ideia, directa e indirectamente, de que os professores não querem ser avaliados. E, numa atitude de dar volta ao estômago, que eu já não sei se é cinismo, ou se é mesmo pobreza de espírito, disse até que esta (a dela) avaliação não era contra, mas a favor do professor, para o dignificar, para que progrida, para que possa ganhar mais mais depressa. Quanto ao modelo proposto disse que era muito simples, muito claro, muito transparente, muito favorável e protector dos professores. Muniu-se até de vários esquemas, que exibiu, dizendo-os falsos (Onde é que eu já vi esta rábula?). Só não mostrou o que hoje foi publicado na revista “Visão” – um verdadeiro monstro de ininteligibilidade. Nunca falou dos parâmetros da avaliação com clareza. Dos coordenadores avaliadores, desta vez chamou-lhes os mais seniores, mais experientes, os que mais trabalharam nos últimos sete anos. Isto é uma afronta, pois os titulares ascenderam ao título de forma automática e ilógica, criando injustiças tão inqualificáveis que ela - nem os dela, nem os que estão com ela -, nunca fala sequer nelas. E, lá por serem titulares, isso não lhes confere qualquer competência especial para poderem avaliar colegas. E os que o são, e acham que sim, mostram bem qual a bitola moral por que se balizam.
Praticamente não saiu do “sucesso”, visto por ela, nem da “avaliação”, também vista por ela. Mas houve alterações, e não só no tom de voz, que se amaciou, e se viu que foi estudado. Passou a atribuir o mérito do tal sucesso de que se ufana ao trabalho dos professores, coisa que até aqui nunca fez, pois, até aqui, o mérito era todo das suas geniais medidas apressadamente impostas. Passou também a falar na necessidade de dignificar os professores, depois de tudo ter feito para os ter humilhado. Disse mesmo que o país estava agradecido aos professores. O cúmulo da hipocrisia, pois estava a dizer aquilo exactamente para pôr a população contra nós.
Para além do habitual, que é dizer sempre o mesmo, e destas alterações, feitas para incautos crerem, disse coisas de espantar, e que nem vou comentar:
. Aquela do professor ir a casa do aluno buscá-lo para vir às aulas, e dever ser valorizado por isso;
. Aquela de que todas as escolas (depois corrigiu para “muitas”) estarem a aplicar o modelo de avaliação “com entusiasmo e competência”.
. Aquela de que os professores são inocentes e que estão a ser manipulados – uns carneiros, estes professores! -, por partidos de direita e por outros, dizendo mesmo que a nossa contestação está partidarizada.

Voltando ao princípio: apetece gritar. O discurso dela cumpriu bem a sua função de propaganda contra os professores, tentando desmobilizá-los, tentando dividi-los e, mais importante, passando a mensagem para a opinião pública de que os professores não querem é mesmo trabalhar, não querem ser avaliados, não sabem o que querem, porque não têm alternativas e se deixam manipular facilmente, não entendem a bondade paciente do seu discurso, que até os louva, e os quer ajudar a progredir.
Claro que tudo isto é propaganda e demagogia; claro que é mentira que haja entusiasmo em alguma escola (poderá haver é medo); claro que o modelo de avaliação está generalizadamente paralisado e é um monstro gerador de arbitrariedades; claro que é mentira falar dum sucesso real; claro que é mentira dizer que os professores ainda não compreenderam a "bondade" das suas políticas.
Mas nós que é que fizemos para contrariar tudo isto? Fomos deixando andar, ora por incúria, ora por comodismo, ora por não acreditarmos que tais políticas seriam possíveis, dado o seu anacronismo. Reagimos muito tarde.
Mas ainda vamos tempo. Há muito que discutir. Há muito que repensar. Há que começar de novo. Há que exigir começar tudo de novo. Mas agora nada disso interessa. Mas agora isso não importa. Tudo isso está condicionado pelo sucesso da manifestação de amanhã, sábado, em Lisboa. Temos que afirmar bem alto a força da nossa revolta. A força da nossa mágoa. A força da nossa razão. O sucesso dessa manifestação vai condicionar todo o trabalho que temos pela frente. E que é muito. Para repensar tudo. Para responder lucidamente a tudo, não deixando que nos isolem.
Por isso, nada de pruridos. Nada de hesitações. Não interessa nada do que está para trás. Agora, nesta hora, é a hora. E a hora começa em Lisboa.
Eu vou estar lá, com aquela convicção profunda de que eu, sozinho, e por mim, não faço lá falta nenhuma, nem alterarei em nada a força da manifestação, mas que, apesar disso, tenho mesmo que estar lá.
Acorramos a Lisboa, amigos!
Pela nossa honra. Pelos nossos alunos. Pelos nossos filhos. Pelos nossos netos.
Acorramos a Lisboa, amigos.
Contra a teimosia absurda e estúpida. Contra o medo.
Acorramos a Lisboa, amigos!
Por um Ensino Público de qualidade. Pela democracia. Pela liberdade
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quinta-feira, 6 de março de 2008

A coragem necessária

O educar.wordpress.com - A Educação do Meu Umbido - teve a amabilidade de publicar a tomada de posição do Departamento de Línguas e Literaturas, da Escola Secundária D. Maria II, Braga.
Convido os visitantes deste blogue a irem lá e a lerem os comentários que a propósito dessa tomada de posição lá foram escritos. Verá que há escolas e departamentos a tomarem posições idênticas.
Curiosamente, a televisão tem dado notícia das escolas onde o processo de avaliação está a seguir, mas esquece-se de referir as muitas onde ele está suspenso, ou em banho maria, a fingir que anda, mas não anda.
Os professores, neste momento, são também um baluarte de defesa da democracia e do bom senso. Apesar da comunicação social estar genericamente contra nós, nós saberemos passar a nossa mensagem.
Atenção à entrevista, mais logo, da senhora ministra. Preparem-se para ouvirem as "perguntinhas" convenientes e para ouvirem as frasezinhas já mil vezes repetidas. Verão a entrevistadora a ajudar quando a ministra começar com o ser "oh, oh, oh! Oxalá eu me engane. Mas não se enervem. Amanhã, responderemos.
Mas a maior resposta, nesta fase da luta dos professores pela sua dignidade, será em Lisboa.
Vemo-nos lá.

Aos novos visitantes

Gostaria de informar os novos visitantes deste blogue, TempoBreve, que ele tem um irmão gémeo, que é o SETE PELES SETE SAIAS. Estes dois blogues são da mesma pessoa, e são como dois rios que muitos vezes se cruzam, misturando as águas e seguindo o mesmo caminho. Por isso, dê lá uma espreitadela. Basta clicar no canto superior esquerdo desta página no respectivo nome. Pode ser que o que procura aqui esteja lá.
Tenha um bom dia.
Obrigado.

terça-feira, 4 de março de 2008

"Prós e Contras" - os prós para a ministra, os contras para os professores

A máquina trituradora da comunicação social contra os professores está em marcha. Os comentadores oficiais e oficiosos estão todos de prevenção para acudir aos incêndios. Uns disfarçam mal. Outros vão servis ao assunto. Muitos não sabem do que estão a falar e divagam. Outros omitem. Quase todos debitam as frases assassinas, algumas com meias verdades – mas que por serem meias ludibriam a opinião pública -, que agradam ao governo e protegem a ministra. Para complementar os comentadores favoráveis ao governo, organizam-se, se necessário, programas especiais. Exemplo típico é o “Prós e Contras” que, em duas emissões sucessivas, pega no tema da Educação.
No da semana passada, 25 de Fevereiro, o debate, não tendo corrido de forma especialmente favorável aos professores - dadas as limitações de tempo que lhes foram necessariamente impostas, e dada a heterogeneidade e a desarticulação das intervenções dos professores presentes - , redundou, contudo, num verdadeiro desastre para a ministra da Educação, dada a sua inépcia e a sua incapacidade para explicar seja o que for, a não ser repetir, ela também, as mesmas frases e expressões já gastas. Ora, havia que mistificar essa incompetência da ministra, organizando um outro “Prós e Contras” esta semana, programa que ainda está a decorrer, agora sem a presença da ministra – não fosse ela espalhar-se outra vez -, e, curiosamente também, sem a presença de qualquer representante dos professores em luta. Estas ausências não devem ter acontecido por acaso, claro.
O programa poderia ser, mesmo assim, muito útil, se fosse honesto. Mas não foi. Em vez dos dois lados em confronto, optou-se pela presença de especialistas. Nada tenho contra eles. E, de alguns, até gosto. Mas, pelos intervenientes, viu-se logo que o programa ia ser orientado contra os professores. É que os intervenientes, via-se logo, não iam atacar de forma directa e objectiva a especificidade daquilo que indigna os professores. Iam generalizar. E, depois, lá estava a coordenadora do programa para “puxar” as frasezinhas que lhe interessavam, para “passar” à frente raciocínios que via encaminharem-se para aquilo que ela não queria que fosse aprofundado, para tirar as conclusões que tinha que tirar, fossem quais fossem as intervenções que se fizessem.
E assim foi. Fátima Campos Ferreira funcionou sempre como uma espécie de comissária política do governo e da ministra da educação. Insistiu muitas vezes na expressão de “guerra” que trouxe estudada, e que era a expressão “estado de sítio”, dando sempre a entender que a sitiada era a ministra, coitada, e que os sitiadores – quase saqueadores malfeitores -, eram os professores que não queriam reformas.
Sempre que achava que podia, interrompia o discurso, e perguntava assertivamente se o interlocutor “apoiava”, sendo que o “apoiava” se dirigia sempre à avaliação, sabendo de antemão que toda a gente, a começar pelos professores, apoia a avaliação, mas não este simulacro de avaliação. Mas ela só queria que eles dissessem que sim, sem que entrassem em outros considerandos que poderiam retirar o aproveitamento propagandístico que ela queria dar ao sim.
Não se esqueceu nunca de repetir que, afinal, a avaliação era para ser cumprida até 2009, dando a entender que havia muito tempo, e omitindo sempre que essa avaliação respeita já ao ano de 2008.
Insistiu repetidamente nos sucessos escolares que a ministra reivindica, e que, numa perspectiva burocrática, até são verdadeiros, mas esquecendo-se sempre de como eles têm sido orientados, motivados, pressionados e quase impostos, para ficarem bem nas estatísticas.
A Fatinha, diligente comissária política, como percebeu, ou lhe disseram, que a ministra já não é ministra de facto - porque completamente desautorizada por decisões e procedimentos que desafiam toda a lógica, e que cavaram um abismo intransponível já, entre o ministério e os principais agentes educativos que são os professores – sempre que podia, quase que forçava os intervenientes a dizerem que a ministra não precisava de sair, ou que podia mesmo recuar sem perder a face, ou aceitar a mediação de agentes externos proposta no programa, proposta essa que é a mesma coisa que dizer que a ministra já não tem condições para continuar.
Em síntese, e quanto a esta moderadora-comissária, a ela só lhe interessava vincar que: os professores são uns malandros que provocaram um autêntico estado de sítio; que os professores não querem ser avaliados; que há muito tempo para a avaliação, que vai até 2009; que a ministra não precisa de sair, mesmo recuando, mesmo aceitando uma mediação.
Mas nem tudo correu sobre rodas à senhora diligente. Para tal, basta lembrar algumas afirmações nada convenientes para os propósitos da Fátima, comissária política e bombeira de serviço.
João Lobo Antunes, por exemplo, fala na necessidade de esclarecer e de apaziguar; diz que admira os professores, que o seu exercício de autoridade é delicado, e que estes não podem ser desautorizados; diz que se instalou uma crise de confiança, e que não há confiança para se fazerem as avaliações na forma prevista; diz que há que valorizar o juízo moral do que é ser professor; diz que não se pode avaliar por um diagrama como o que é proposto.
Manuel Vila Verde Cabral afirma que já é tarde para sair da crise; que seria necessária uma experimentação do modelo, que lhe faz lembrar a rede do metro de Londres; que seria no mínimo exigível uma experimentação do modelo, antes da sua aplicação generalizada; que o governo escolheu um braço de ferro demagógico com os professores, demonizando-os, tendo com isso provocado uma coisa que já não é reivindicação corporativa, mas sim uma revolta.Fátima Campos Ferreira lá foi levando a água ao seu moinho. Os intervenientes não tiveram culpa. Mas tinham que ter ali alguém que objectivasse as verdadeira razões de queixa dos professores. Mas esse alguém não estava lá. Por que seria?