sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Professorzecos de imbecis putecos

O texto que se segue é a transcrição de grande parte de uma notícia, publicada no jornal Público de hoje, sexta-feira, 25 de Janeiro de 2008, ao fundo da página 8, e assinada pela jornalista Leonete Botelho. Mantém-se o título. Suprimi-lhe o primeiro e o último parágrafos, pois não se referem especificamente à educação.
Contestação à "arrogância" do Governo cresce no PS
...
A crítica é recorrente e prende-se com a acusação de falta de diálogo entre ministros e o grupo parlamentar sobre políticas difíceis e de grande impacto público. Mas ontem, subiu de tom, com os ministros da educação e da saúde a serem acusados de falta de espírito democrático e de arrogância pela forma como lidam com os deputados e os cidadãos.Dois dos protagonistas foram Luís Fagundes Duarte e Teresa Portugal, ambos da comissão parlamentar de educação, que na véspera tinha reunido com a ministra Maria de Lurdes Rodrigues. A reunião prendia-se com a análise de dois decretos-leis que, como instrumento legislativo do Governo, não passaram pelo Parlamento: o da avaliação dos professores (publicado) e o da gestão das escolas (em discussão pública).Os deputados quiseram, ainda assim, analisar os dois, na medida em que têm recebido muitas contribuições e queixas de cidadãos e professores. Mas a reunião não terá corrido bem e acabou com acusações mútuas: a equipa do ministério considerou que os deputados estavam a dar voz a "professorzecos", enquanto estes lembraram os governantes de que só estavam no Governo porque existia a maioria parlamentar."
OBSERVAÇÕES DESNECESSÁRIAS:
1 - No PS já há contestação, o que é bom, mesmo quando feita para inglês ver; mas há quem conteste com seriedade.
2 -A contestação cresce no sector da educação e da saúde, dois sectores fundamentais, e onde os erros que estão a ser cometidos se pagam muito caro, e por muito tempo.
3 - O conteúdo do decreto-lei sobre a avaliação dos professores não passou pelo Parlamento; é uma questão fundamental para o ensino que queremos; não é só o que aparenta; por essa avaliação passa a dignidade ou não da função docente; por essa avaliação passa a qualidade ou não do ensino que queremos; por essa avaliação passa a seriedade ou não daquilo que queremos para os nossos mais novos; interessa o professor que sabe e ensina a pescar, ou o professor que – incompetente, preguiçoso, manhoso, irresponsável, medroso, humilhado, cansado -, garante, logo no início do ano, o sucesso estatístico que lhe estão a impor?
4 - Esta gentinha que nos governa já nem sequer mostra pingo de vergonha, não hesitando em desrespeitar os próprios deputados que lhe sustentam o cargo.
5 - Esta gentinha é tão sem-vergonha, é tão medíocre, é tão prepotente, é tão insignificante, é tão fútil, é tão banal, que, ao deparar-se com qualquer contrariedade - qual seja apenas uma discussão com os deputados do seu próprio partido -, perde as estribeiras e salta-lhes da boca linguagem própria de quem é imbecil, chamando professorzecos , a quem ainda vai aguentando o barco, que essa gentinha vil quer afundar num mar da estupidez , que é o mar de que eles gostam.
6 - Esta gentinha tem complexos: sabe que há ainda muitos professores a sério; que gostam de o ser; que o sabem ser; que gostam de ensinar; que gostam dos alunos e, porque gostam, não os querem drogar com futilidades de entretenimento e de fazer de conta que; que não se deixam humilhar; que vão resistir porque sabem bem conjugar o verbo ser, o verbo aprender, o verbo ensinar, o verbo sentir, o verbo amar, o verbo sonhar.
7 - Esta gentinha é um aglomerado de pessoazecas que detestam estes professores, que são a maioria, embora muitos sintam sua mágoa em silêncio sofrido; estas pessoazecas não tiveram professores destes ou, se os tiveram, nunca os entenderam, e ficaram ressentidas por reconhecerem que nunca seriam dignas como eles; estas pessoazecas devem ter tido só professorzecos, que também os há; talvez seja por isso que estas pessoazecas são, e hão-de ser sempre um bando de imbecis putecos.

4 comentários:

Um «Professorzeco» disse...

«...estas pessoazecas hão-de ser sempre um bando de imbecis putecos» a construir um país sem gente de sonho(s),sem gente(s)de vontade(s),sem gente de carácter!
Querem a iliteracia/estupidez instalada no mundo de quem ensina e no mundo de quem aprende.Será que «essas pessoazecas» não vêem?

TempoBreve disse...

Caro PROFESSOR!

Não vaõ conseguir. Um país à imagem deles seria um escarro desenhado no mapa.
Não. Essas pessoas não vêem. Por isso querem que todos sejam cegos.
Há que resistir-lhes. Não lhes mostrar medo. Atirar-lhes à cara a sua insignificância banal. Rirmo-nos das suas carreiras.
Tem que ser uma luta travada com paixão e razão. Nesse combate, os professores podem não ter que ir sozinhos à frente, mas têm que estar na linha da frente - pelo menos os que mais se prezam, e estão mais conscientes da situação, que é grave.
Não é preciso ser-se herói. Basta não desistir e afirmar a sua qualidade na defesa duma escola de valores éticos e cívicos, e onde o trabalho é um direito e um dever a ser levado a sério.
Os professores têm que estar na linha da frente, não permitindo que as escolas se transformem num circo a fingir seriedade.
Tudo isto porquê? Porque os professores não podem trair os seus alunos, abandonando-os, e traindo-se a si mesmos. E não há tradição que diga que os professores possam alguma vez ser traidores.
As pessoazecas querem mesmo destruir o ensino. Teimosamente. Passo a passo. Conscientemente. Por isso é que a situação é grave. Por isso é que os professores têm que estar na linha da frente: por obrigação, por solidariedade, por responsabilidade.
Voltarei ao assunto, Senhor Professor.
Um abraço.

M.Isabel disse...

Realmente a gente não se pode acanhar perante pessoazecas ou pessoazinhas tão pequeninas, que julgam guindar-se à altura, pisando aqueles que têm dignidade e orgulho de ensinar jovens a crescer.
A gente, realmente, não se pode acanhar, mas sim abrir a voz e soltar o que anda a moer a alma, coisa que essa gente não tem porque a venderam num leilão de coisas de nadas, vestidas de pó de coisa nenhuma.
A gente não se pode acanhar.A gente tem que se organizar e derrubar este arranhacéu de mentira onde querem encarcerar a nossa dignidade.
A gente não se pode acanhar e temos que ser voz e acto e rosto de se ver sem pseudónimos ou máscaras, quando se trata de coisas sérias.
Eu quero ser avaliada; eu quero ir-me embora com a certeza de que sou má com as novas exigências balofas de quem nos quer meter no jogo da mentira; eu quero que essa gente venha ver que me borrifo para a papelada e que na minha pessoa eu ainda mando, enquanto puder usar a voz para dizer aqui e onde me apetecer que eu sou uma professora de mão cheia, mesmo que os fantasmas da inquisição andem aí com medos anunciados.
Senhora Ministra,quando eu falo para os meus alunos, o meu rosto sente o calor do sol que me vem na alma e deixa que ele se espraie num rio de jovens que merecem ver o mar que leva a porto seguro.
Onde anda o seu sol, Senhora ministra, que nunca lho vi ?

TempoBreve disse...

Casa Isabel!

Deixou-me aqui no Tempo as suas reflexões de protesto, de incentivo, de resistência, e de sol que aquece a esperança. Agradeço-lhas. Eu e quem se sente assim: a gente que é gente. Assim não nos sentimos tão sós.
Mas olhe: fiz-lhe uma maldade. Sei que você gosta deste maroto que é o "TempoBreve" - o blogue, claro; mas, para as Peles e Saias não ficarem tristes, publiquei nelas o seu texto inteiro, como poderá ver. Espero que não leve a mal.
Obrigado pelo texto.
:-)