terça-feira, 10 de julho de 2007

O pisco do mais lindo canto

Há muitos piscos, mas este é o pisco-de-peito-ruivo

Muito discreto, quando calado. Esta sua pose é de descanso, pensativo, ao sol. Não é a mais elegante, mas é a que melhor e mais facilmente o identifica: peito alaranjado, bordejada de tons de branco e de cinza, com azul à mistura.
Os machos cantam, de Janeiro a Junho, manhãzinha cedo, mesmo na abertura do concerto das aves. Também ao entardecer, até ficar escuro. São cantos de amor e de vida. De tanto enlevo que se esquecem de si, desfazendo-se em canto, para enlevo e encanto de quem os sabe ouvir. É seguramente um dos mais belos cantos que se podem ouvir.

Mas o canto não basta, que a ­mea exige, ao ser cortejada, que o macho a alimente também. Coisas de fêmeas.
E é assim que, de canto em canto, de bicada em bicada, que é como quem diz namoro e beijo, lá terão de se arrumar e fazer o ninho. Para terem filhos, em duas posturas, entre Março e Julho. Só que, em vez dos quatro ou cinco que costumam ter, às vezes têm só um: o filho do cuco, que eles pensam que é filho deles.
Mas não desistem. Nas calmas e quentes do Outono, voltam os machos a sonhar cantando, preparando o terreno para promessas de amores futuros. Lá para Janeiro. Outra vez.

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