sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Vê-se bem quem gosta e quem é

Sabe por que é que esta (..) estupidez de conflito, que o primeiro-ministro e a sua cara ministra da educação podiam muito bem resolver, me irrita? Não porque nos faz viver num ambiente escolar péssimo, pois os professores andam cansados de tudo isto, mas principalmente por nos tirarem professores bons (...). Não fisicamente, mas também espirtualmente. Porque, mesmo os que não se foram embora do ensino, não estão . Estão com a cabeça em papéis, reuniões (...). Deprime...revolta. Mas como isto não pode continuar assim por muito mais tempo, e como os professores estão do lado da razão e têm o apoio de muita gente, espero mesmo muito que isto se resolva pelo melhor. Para o bem de todos. (...)
-se tão bem quem são as pessoas que gostam do que fazem! Defendem-no com unhas e dentes...
Com saudade.

Inês
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Notas: A Inês é uma aluna do 11.º Ano; disse-me uma vez que a assustei nas primeiras aulas; caladinha e esperta, perdeu o medo e começou a escrever; sem ser por obrigação; apenas porque percebeu que escrever é difícil e bom; mostrou-me muitas coisas; dei-lhe a atenção que pude; não lhe dei a que ela merecia. O texto acima escreveu-o ela em forma de comentário que deixou no texto abaixo "Os dois mil eram muitos mais que..."; cortei, censurando, pequenas referências. Mas poderão verificar que não foi censura compassiva ou maldosa.

2 comentários:

Helena Vilar disse...

Tento sempre,mesmo fazendo um esforço sobre humano, que os alunos não sofram com o que me faz sofrer, mas eles afinal apercebem-se. E isto não é nada bom! Pelo comentário desta aluna (sensível com certeza) percebo quão prejudicial está a ser este ambiente para os alunos e para o ensino. Julgo que não há nada pior para um aluno do que sentir que o professor não está lá, para ele, de corpo e alma.

TempoBreve disse...

Cara Helena!
Os alunos apercebem-se, pois. Todos eles. Só que uns, poucos, aproveitam a confusão para serem aquilo que são e que querem que eles sejam:acríticos, indiferentes, analfabetos letrados;outros apercebem-se mesmo que ficam mais abandonados e que isso os prejudica. Estes últimos são mais sábios. Por isso também temem mais. Mas os chefes que nós temos, em Lisboa e nas escolas, não conseguem ver bem isto. Não vêem, porque são cegos; não vêem porque não querem ver; não vêem porque são cúmplices; não vêem porque querem tacho e penacho. Uns pobres coitados, afinal.
Um abraço.