terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Onde está o nada? *

Onde está o nada, e no nada o tudo?
Onde está o tudo, e no tudo o deus?
Onde está o deus, e no deus o tempo?

Onde está o tempo, e no tempo o espaço?
Onde está o espaço, e no espaço o fogo?
Onde e está o fogo, e no fogo o ar?

Onde está o ar, e no ar a luz?
Onde está a luz, e na luz o brilho?
Onde está o brilho, e no brilho o mar?

Onde está o mar, e no mar o barco?
Onde está o barco, e no barco o homem?
Onde está o homem, e no homem o quê?
......
* Ver nota nas Peles.

7 comentários:

Espertalhão disse...

Está algures num blogue,quem sabe?

TempoBreve disse...

Meu caro espertalhão:

Você é mais do género esperto. Com toda a certeza que está, e que estão, não apenas num, mas em todos eles, e em tudo o mais.
Você já leu o livro "Deus e o Computador", de Roberto Vacca? Não que ele tenha a resposta. Mas anda à volta dela.
Até breve.
Um abraço.

Anónimo disse...

Onde está o quê, e no quê o porquê?
Onde está o porquê, e no porquê o nada?

:-)

Ibel disse...

Felicito-o pelo poema tão harmonioso,tão sério e tão grave,tão retoricamente poético, tão depurado e tão depurador,tão fresco e refrescante, tão acordelado e dito num tom que é canto e plangência, pergunta e resposta.
Li-o várias vezes e enterneci.
Já se tem falado muito em alegorias neste blogue e este poema pode ser mais uma.
Não interessa o que é. Cada um fará a leitura que quiser.
Talvez alguma porta se abra e a respota esteja aí.

TempoBreve disse...

Caro anónimo:

O porquê está no quê. E o nada não existe.
O nada só existiria, perante a ausência do tudo. Mas mesmo que o tudo nos fuja, e esteja de todo ausente, existiria a sua ausência. E se a sua ausência existe, o nada não pode existir. E nós estamos aqui.
O nada não existe mesmo: o nosso sentir no-lo diz, e o nosso pensar também, usando sinais secretos, e palavras que não temos. Por isso, nem sempre entendemos as suas mensagens cifradas. Mas mensagens são mensagens.
E o nada não existe.
:-)

TempoBreve disse...

Ibel:

Agradeço as suas palavras e o que lê no que eu escrevo. Mas agradeço ainda mais o ter-se enternecido.
Este é um daqueles textos que adormece dentro de nós e, depois, sem esperarmos, salta cá para fora num jacto, sem que o possamos emendar. O que às vezes é uma sorte.
A forma como arranja maneira de alindar o que eu escrevo, com os comentários que me dá, é própria de quem tem muito engenho e muita arte para dar.
Obrigado, e uma flor.
:-)

Anónimo disse...

"Onde está o homem, e no homem o quê?"

Este verso isolado já dá para pensar e muito...!O professor não foi um professor escolar,não foi apenas mais uma pessoa que nos entrou pela vida adentro!O Professor foi o Educador que desejávamos em silêncio,alimentando o sonho de o virmos a ter!Entrou nas nossas vidas com ousadia,sem pedir licença,sem passar paninhos quentes,mas olhando-nos com o seu olhar terno,exigindo mas empurrando-nos sem que nos apercebesse-mos que o fazia,nunca nos levou ao colo mas teve-nos sempre nas palmas da mão porque nos soube sempre captar!Mais do que isso,viu-nos como protótipos de algo que,se trabalhado,poderia resultar em algo produtivo e arriscou...!Uma e duas vezes...sem desistir,com esforço,com dedicação,com determinação...!Fez de todos nós Pessoas quando outrora éramos sombras fantasmagóricos de uma incerta mas no entanto evidente realidade!Obrigada em nome de todos!;-)

"Onde está o Homem, e no Homem o quê?!"



Betania